
Você já deve ter ouvido alguém dizer:
- “ Essa sua dor só pode ser reumatismo!”
- “ Fui no médico e ele me disse que tenho reumatismo no sangue…”
- “ Reumatismo não tem jeito, não tem cura.”
Mas afinal:
- Existe mesmo essa doença?
- “Reumatismo” ainda é um diagnóstico válido?
- O que significa quando alguém fala isso?
- Reumatismo tem cura?
Reumatismo é um nome popular para várias doenças que causam dor nas juntas. Com o diagnóstico e tratamento corretos, os portadores de doenças reumáticas podem entrar em remissão e ter uma vida normal.
Neste artigo, vou te explicar de forma clara e objetiva o que realmente quer dizer essa palavra, qual a diferença entre cura e remissão, e por que existe tanta confusão com o termo reumatismo.
Quem é o médico que cuida de reumatismo?
Antes de mergulharmos na explicação sobre o que é — ou não é — o reumatismo, é importante saber quem é o profissional certo para investigar e tratar dores nas articulações.
Mesmo que o termo “reumatismo” não seja o mais adequado, ele costuma ser usado para se referir a diversos tipos de dor nas juntas. O nome técnico correto é doenças reumáticas, e o médico especialista nesse grupo de doenças é o reumatologista.
O reumatologista é o profissional mais preparado para diferenciar as mais de 120 doenças reumáticas existentes — algumas autoimunes, outras inflamatórias, degenerativas, metabólicas ou até infecciosas — e indicar o melhor caminho para diagnóstico e tratamento.
👨⚕️ Quem é o Dr. Francisco Saraiva?
O Dr. Francisco Saraiva é médico reumatologista com mais de 20 anos de experiência, reconhecido por unir conhecimento técnico com escuta atenta, empatia e compromisso com o cuidado integral.

📚 Uma trajetória construída com excelência
Desde o início da carreira, buscou os melhores centros de formação médica do Brasil:
- Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Ceará (UFC)
- Residência em Clínica Médica pela USP
- Residência em Reumatologia pela USP
- Doutorado em Reumatologia pela USP
Logo ao retornar de São Paulo para Fortaleza, foi rapidamente integrado ao ensino e à formação de novos médicos:
- Ingressou como preceptor da residência em Reumatologia do Hospital Universitário Walter Cantídio (UFC)
- Foi professor adjunto da Universidade Federal do Ceará por mais de uma década
- Atualmente é professor da UNINTA e segue como preceptor da residência da UFC
💬 O que diferencia o cuidado do Dr. Francisco?
Mais do que títulos e formação de ponta, o Dr. Francisco oferece um atendimento:
- Acolhedor: com tempo para escutar o paciente
- Explicativo: com orientação clara sobre diagnóstico e tratamento
- Disponível: tira dúvidas mesmo após a consulta, quando necessário
- Humanizado: com empatia, atenção e respeito
- Inspirado por valores cristãos, oferecendo cuidado integral com base em ciência, fé e compaixão
⭐ Veja o que dizem os pacientes:








Reumatismo não é uma doença

Essa é uma das maiores confusões que vemos no consultório:
“Reumatismo” não é o nome de uma doença.
Durante muito tempo, essa palavra foi usada de forma genérica para descrever qualquer dor nas articulações, músculos ou ossos.
Na prática, era como se o termo “reumatismo” funcionasse como um guarda-chuva onde se agrupavam várias doenças muito diferentes entre si, como:
- A artrite reumatoide, que é autoimune
- A artrose, associada ao envelhecimento
- A gota, causada por ácido úrico elevado
- A fibromialgia, com dor crônica sem inflamação nas articulações
- A febre reumática, que aparece após infecções de garganta
- A osteoporose, causada por um enfraquecimento dos ossos
Com o avanço da medicina, passamos a entender que essas condições têm causas diferentes e tratamentos específicos. Por isso, atualmente usamos o termo doenças reumáticas — um grupo que inclui mais de 120 diagnósticos diferentes.
“Estou com reumatismo” – e agora?

Se alguém disser isso, pergunte:
— “Você sabe o nome da doença?”
“Reumatismo” é uma palavra genérica, que não permite programar um tratamento adequado. Para entender e tratar a dor corretamente, é necessário um diagnóstico preciso.
E quem pode ajudar nisso é o reumatologista, especialista nas mais de 120 doenças reumáticas já identificadas.
Algumas delas:
- Espondilite anquilosante
Inflamação da coluna vertebral que causa dor lombar crônica, principalmente ao acordar, e pode levar à fusão das vértebras com o tempo. É mais comum em homens jovens e está associada ao HLA-B27. - Gota
Tipo de artrite causada pelo acúmulo de ácido úrico nas articulações, provocando crises súbitas de dor intensa, inchaço e vermelhidão, especialmente no dedão do pé. Pode ser controlada com alimentação adequada e medicação. - Artrite reumatoide
Inflamação crônica nas articulações, que pode causar dor, inchaço, rigidez e deformidades, principalmente nas mãos e punhos. É uma doença autoimune e pode comprometer a qualidade de vida se não for tratada precocemente. - Lúpus (lúpus eritematoso sistêmico)
Doença autoimune sistêmica que pode afetar pele, articulações, rins, sistema nervoso e outros órgãos. Os sintomas variam de pessoa para pessoa, sendo comuns a fadiga, dores articulares, queda de cabelo e manchas na pele. - Fibromialgia
Síndrome caracterizada por dor muscular generalizada, fadiga, distúrbios do sono e dificuldades cognitivas. Apesar de não causar inflamação ou deformidade, pode comprometer seriamente a qualidade de vida. - Artrose (ou osteoartrite)
Desgaste progressivo da cartilagem das articulações, que provoca dor, rigidez e limitação de movimento. É mais comum com o envelhecimento e pode afetar joelhos, quadris, mãos e coluna. - Osteoporose
Doença silenciosa que enfraquece os ossos, aumentando o risco de fraturas, principalmente na coluna, quadril e punho. É mais comum em mulheres após a menopausa e pode ser prevenida com diagnóstico precoce. - Síndrome de Sjögren
Doença autoimune que compromete as glândulas produtoras de saliva e lágrimas, provocando olhos e boca secos. Pode vir acompanhada de dor nas articulações e fadiga. - Febre reumática
Complicação inflamatória que pode ocorrer após infecções de garganta por estreptococo. Afeta principalmente crianças e adolescentes, e pode comprometer o coração, articulações, pele e sistema nervoso. - Artrite psoriática
Forma de artrite associada à psoríase (doença de pele), que causa dor, inchaço e rigidez nas articulações. Pode afetar a coluna, dedos (com aspecto de “dedo em salsicha”) e unhas. - Esclerodermia (esclerose sistêmica)
Doença autoimune que provoca endurecimento da pele e, em casos mais graves, pode afetar órgãos internos como pulmões e rins. Os primeiros sinais costumam ser mãos frias e sensíveis ao frio (fenômeno de Raynaud). - Doença de Behçet
Doença inflamatória rara que provoca aftas na boca e genitais, inflamação nos olhos (uveíte), e pode causar lesões na pele, trombose e envolvimento do sistema nervoso central. - Vasculites
Grupo de doenças que causam inflamação nos vasos sanguíneos, podendo comprometer a pele, nervos, rins, pulmões e outros órgãos. Os sintomas variam conforme o tipo e a gravidade da vasculite. - Polimialgia reumática
Causa dor e rigidez nos ombros, pescoço e quadris, especialmente em pessoas acima dos 50 anos. Pode estar associada à arterite temporal e responde bem ao uso de corticoides. - Arterite temporal (ou arterite de células gigantes)
Inflamação das artérias da cabeça, que pode causar dor de cabeça, alterações visuais e risco de cegueira. É considerada uma urgência médica e precisa de tratamento rápido. - Miopatias inflamatórias (como dermatomiosite e polimiosite)
Doenças autoimunes que provocam inflamação e fraqueza nos músculos, podendo afetar também a pele, pulmões e outros órgãos. Causa dificuldade para subir escadas, levantar-se da cadeira ou pentear o cabelo. - Lúpus cutâneo
Forma limitada do lúpus que afeta somente a pele, provocando lesões avermelhadas, geralmente no rosto, couro cabeludo e áreas expostas ao sol. Pode evoluir para lúpus sistêmico em alguns casos. - Síndrome antifosfolípide
Distúrbio autoimune que aumenta o risco de tromboses (vasos entupidos) e perdas gestacionais recorrentes. Pode ocorrer isoladamente ou associada ao lúpus. - Sarcoidose
Doença inflamatória que forma pequenos nódulos (granulomas) em órgãos como pulmões, olhos, pele e gânglios. Pode ser assintomática ou causar tosse, falta de ar e cansaço. - Doença de Still do adulto
Forma rara de artrite sistêmica com febres altas, erupção na pele e dor intensa nas articulações. Exige diagnóstico diferenciado e tratamento imunossupressor. - Síndrome de Raynaud (forma primária)
Condição em que os dedos das mãos e dos pés ficam brancos ou arroxeados ao contato com o frio ou estresse. Pode ser isolada (forma benigna) ou associada a doenças autoimunes.
“Deu reumatismo no sangue”: o que significa isso?
Algumas frases são muito comuns no consultório:
“Doutor, quero fazer um exame de sangue pra saber se tenho reumatismo.”
Ou então:
“O médico do posto disse que eu tenho reumatismo no sangue.”
Mas a verdade é: não existe um exame chamado “reumatismo no sangue”.
O que o reumatologista faz é investigar a história do paciente, examinar com cuidado e, quando necessário, pedir exames de sangue que ajudem a confirmar ou descartar doenças específicas.
O que realmente importa é o conjunto da avaliação:
- a história completa do paciente,
- o exame físico,
- e, se necessário, os exames complementares.
Diagnóstico em reumatologia não é feito apenas com exame de sangue.
É o olhar clínico, cuidadoso e individualizado, que leva à resposta certa.
“Doutor, acho que estou com febre reumática”

Essa frase também confunde.
A febre reumática é uma doença específica, que ocorre geralmente em crianças e adolescentes após infecções de garganta por estreptococos. Ela pode causar inflamações no coração, articulações e sistema nervoso.
Não é toda dor nas juntas com febre que significa febre reumática. Outras causas possíveis incluem:
- Artrites autoimunes (lúpus, artrite reumatoide)
- Infecções virais (como chikungunya)
- Gota
- Efeitos colaterais de medicamentos
Por isso, é essencial uma avaliação médica especializada.
Artrite não é uma doença – é um sinal

Assim como febre é um sinal de que algo está errado, artrite significa inflamação em uma ou mais articulações.
E essa inflamação pode ter várias causas:
- Artrite infecciosa (vírus ou bactérias)
- Artrite psoriásica (associada à psoríase)
- Gota (excesso de ácido úrico)
- Lúpus
- Artrite reumatoide (autoimune)
- Osteoartrite (artrose)
O papel do reumatologista é justamente investigar a causa da artrite e indicar o melhor tratamento.
Qual a diferença entre artrite e artrose?

Essa é uma das dúvidas mais comuns no consultório. E, curiosamente, a resposta que muita gente dá está equivocada!
Muitos pacientes acham que artrite é uma coisa e artrose é outra completamente diferente. Mas a verdade é que a artrose é um tipo de artrite.
A palavra artrite significa inflamação em uma ou mais articulações.
Artrose, por sua vez, é uma forma de artrite causada pelo desgaste das articulações ao longo do tempo.
Essa inflamação, embora mais discreta que nas doenças autoimunes, contribui para a dor, a rigidez e a progressão do problema.
Veja as principais diferenças:
| Tipo | Características principais |
|---|---|
| 🟩 Artrite reumatoide | Doença inflamatória autoimune, afeta pessoas mais jovens, causa rigidez matinal prolongada, pode acometer várias articulações de forma simétrica |
| 🟦 Artrose (osteoartrite) | Forma de artrite associada ao envelhecimento, com inflamação de baixo grau, dor que piora ao longo do dia, estalos, limitação de movimento e possível deformidade articular |
Por envolver inflamação, o tratamento da osteoartrite muitas vezes inclui o uso de medicamentos anti-inflamatórios, além de fisioterapia, exercícios adequados, infiltrações e, em casos mais avançados, até cirurgia.
E há uma boa notícia: vários estudos estão em andamento buscando formas de bloquear os mecanismos inflamatórios da osteoartrite.
Essas pesquisas estão testando medicamentos que possam não só aliviar os sintomas, mas também impedir a progressão da doença — algo que hoje ainda não conseguimos fazer com os tratamentos disponíveis.
Acreditamos que em um futuro próximo, esses novos remédios vão permitir tratamentos mais eficazes, capazes de preservar as articulações e manter a qualidade de vida dos pacientes por muito mais tempo.
Por isso, se você sente dor nas articulações ao final do dia, estalos, rigidez ou limitação para se movimentar, não espere a dor piorar.
Artrose (ou osteoartrite) tem tratamento e quanto mais cedo começamos, melhores os resultados.
E afinal, reumatismo tem cura?
A maioria das doenças reumáticas ainda não tem cura definitiva.
Mas isso não quer dizer que a pessoa vai viver com dor ou limitações.
O que buscamos no tratamento é algo chamado remissão.
E isso é muito mais do que “melhorar um pouco”.
Quando a doença entra em remissão, os sintomas praticamente desaparecem.
A inflamação fica controlada.
A pessoa volta a ter qualidade de vida.
Com a remissão, é possível:
- trabalhar,
- cuidar da casa,
- praticar exercícios,
- casar,
- ter filhos,
- fazer planos para o futuro.
E isso vale tanto para doenças como artrite reumatoide, lúpus, espondilite anquilosante, entre outras.
Mas tudo começa com um diagnóstico certo e feito no momento certo.
Quanto mais cedo identificamos qual doença reumática você tem, maiores são as chances de alcançar a remissão.
A Remissão é possível.
E com ela, uma vida normal também
Conclusão: Reumatismo é passado. Diagnóstico correto é o presente.

Não aceite diagnósticos vagos.
Não se conforme com a dor.
Reumatismo não é um diagnóstico. É um alerta de que você precisa de avaliação especializada.
Se você ou alguém da sua família sente dores crônicas, inchaço, rigidez ou febre com dor nas articulações, procure um reumatologista.
O tratamento certo começa com o diagnóstico correto.
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